Astrofotografia

Se você almeja ser um astrônomo amador, seja apenas observador, seja astro-fotógrafo, existem alguns pré-requisitos que devem ser observados.

Em primeiro lugar, é preciso ter algum dinheiro. Um bom equipamento é essencial. Em segundo lugar, é preciso ter tempo. Afinal, não é fácil montar seu telescópio e passar a madrugada em claro olhando para o céu quando se trabalha em média oito horas durante o dia. Por fim, o que é mais importante, é preciso ser muito, muito dedicado e extremamente competente. Especialmente se você se dedica a fotografar o céu. Não basta um equipamento com boa ótica, boa abertura e um acompanhamento motorizado eficiente. É preciso ter um “algo mais” para que se possa obter resultados incríveis como o do astronomo “amador” Thierry Legault. Amador entre muitas aspas.

Conheci o trabalho de Legault na ocasião em que ele conseguiu uma incrível foto da Estação Espacial Internacional e o ônibus espacial Atlantis transitando em frente ao Sol, em maio de 2010.

Em 4 de janeiro ele repetiu o feito fotografando um eclipse parcial do sol no Sultanato de Omã, quando obteve a no mínimo estonteante imagem abaixo:

De tirar o fôlego, não é?

O que mais impressiona nessa foto, além daquilo que é óbvio, são as distâncias envolvidas. Conforme o próprio Legault explica em seu site, são três planos envolvidos na imagem: o Sol, a 150 milhões de km, a Lua, a 400000 km e a ISS a 500km! Isso mesmo, a pequena sombra que parece tão distante na imagem é, na verdade, o objeto mais próximo de nós. E há ainda outras informações que tornam essa imagem ainda mais incrível. A velocidade da órbita da Estação Espacial é aproximadamente 28000 km/h. Isso faz com que a sua passagem pelo Sol seja de apenas 0,86s. Menos de um segundo! Como eu disse. Haja competência. Talento. Ou qualquer coisa que o valha.

Thierry Legault é um prodígio da astrofotografia. Vale muito a pena clicar aqui e se maravilhar com a sua belíssima coleção.

Sua última proeza, da qual tomei conhecimento pelo blog Bad Astronomy, foi obter um video da ISS do qual resultou a primeira imagem nítida  feita do solo de um astronauta em plena caminhada espacial. Já existem alguns fotografos que reivincam o feito, mas suas imagens nunca foram nítidas o suficiente para que se pudesse fazer uma confirmação. O astronauta da NASA Steve Bowen fazia reparos em uma bomba da estação no momento em que a imagem foi feita. Curiosamente, o vídeo foi gravado durante a última missão do ônibus espacial Discovery, que hoje voltou à Terra e a partir de agora será exposto no Museu Aeroespacial do Instituto Smithsonian, em Washington DC.

A era dos ônibus espaciais está chegando ao fim com estilo.

A NASA fala, os pares falam

Rosie Redfield publicou uma declaração de Lynn Rothschild, astrobióloga da NASA. (Redfield pega pesado e diz que Lynn é uma astrobiológa de verdade. Mas não deixa de ter razão, pois Hoover, o autor do paper, é engenheiro, conforme a própria Lynn faz questão de ressaltar). Em resumo, Lynn está preocupada com a reputação dos cientistas da NASA, já arranhada pelo caso da bactéria de arsênico. A astrobióloga lembra que aquela pesquisa havia sido financiada pela NASA, mas os pesquisadores não eram empregados pela NASA. No caso das alegações de Hoover, Lynn distancia a si mesma e a sua agência das conclusões bombásticas do paper e conclui: “por mim, preferiria o tradicional caminho da revisão por pares do que blogs de ciência de fim de semana”.

O site SpaceRef divulgou uma nota oficial da NASA, escrita pelo cientista Paul Hertz:

“NASA is a scientific and technical agency committed to a culture of openness with the media and public. While we value the free exchange of ideas, data, and information as part of scientific and technical inquiry, NASA cannot stand behind or support a scientific claim unless it has been peer-reviewed or thoroughly examined by other qualified experts. This paper was submitted in 2007 to the International Journal of Astrobiology. However, the peer review process was not completed for that submission. NASA also was unaware of the recent submission of the paper to the Journal of Cosmology or of the paper’s subsequent publication. Additional questions should be directed to the author of the paper”.

Em português claro: a NASA não banca uma alegação a não ser que passe pela revisão por pares ou seja examinada por especialistas qualificados (ou seja, a NASA não considera que o Journal of Cosmology tenha um sistema de revisão eficiente ou sério). Além disso, diz Hertz, o mesmo paper foi submetido em 2007 a uma revista conceituada de astrobiologia mas o processo de revisão por pares ainda não foi concluido. A NASA também não sabia da submissão do artigo ao Journal of Cosmology, cuja publicação gerou todo um carnaval midiático.

O Bad Astronomer coletou críticas de cientistas ao paper de Hoover, que pipocaram nas últimas 24 horas. Phil termina com uma pergunta retórica: por que, então, esse artigo foi parar no Journal of Cosmology e não saiu com algum selo da NASA? Phil diz que isso não é um argumento ad hominem. Eu acho que é, mas o post dele está cheio de bons argumentos contra as conclusões do paper.

Está faltando o lado do autor, Richard Hoover, ainda estranhamente em silêncio.

– Aristarco

Updates para o caso do alienígena no meteorito

Aqui vão alguns links sobre a extraordinária notícia de que um cientista encontrou fósseis de bactéria num meteorito, mencionada no post abaixo.

David Dobbs, blogueiro da Wired, traça um perfil do Journal of Cosmology e de seu principal editor, Rudolf Schild. A publicação anunciou o encerramento de suas atividades no fim de fevereiro, e a publicação do paper de Hoover deve ser um de seus últimos atos. Dobbs diz ainda não saber como se posicionar sobre as alegações de Hoover e parece ter um olhar ao mesmo tempo simpático e cauteloso com relação à publicação de Schild.

Collin Maessen, por outro lado, analisa criticamente o Journal of Cosmology do ponto de vista acadêmico. Dizer que Maessen e o resto da blogosfera não se animam é eufemismo. Dêem uma olhada vocês mesmos no site da publicação e tirem suas próprias conclusões. Não lembro onde estava a menção mais engraçada que li nos blogs: é como se o site tivesse entrado num buraco de minhoca e se transportado para os anos 90. Mas lembremos: isso não é argumento, é ad hominem.

Rosie Redfield, uma das primeiras e mais importantes vozes críticas àquela pesquisa da NASA que alegava ter descoberto uma bactéria que substituía fósforo por arsênico em sua composição, postou uma detalhada e demolidora crítica ao paper. Em resumo: “vamos andando, não há nada pra se ver aqui”.

No Nasa Watch, uma série de links – notícias sobre o paper em vários veículos e alguns outros comentários de blogueiros.

Phil do Bad Astronomy afirma cautelosamente que a reputação questionável do Journal of Cosmology e o visual do site não invalidam as alegações de Hoover, mas recomenda um olhar “especialmente cético” ao paper. Phil chama a atenção para o fato de que Hoover fez afirmações semelhantes às alegações do novo paper em 2007. O que me leva à pergunta: se as alegações fossem realmente sólidas, Hoover já não teria revolucionado a astrobiologia há três anos?

A propósito, Phil é citado no anúncio do fim do Journal of Cosmology como um “aspirante a astrônomo” e líder da “multidão de tochas e lanças” culpada pelo fim do site. A publicação haveria “ameaçado o status quo da NASA”.

Nesses links, as caixas de comentários são tão valiosas quanto os posts.

– Aristarco

Mais um alarme falso de microorganismo ET?

Essa é fresquinha.

Diz matéria assinada por Debora Zabarenko para a ABC/Reuters: “sinais de ‘vida alienígena’ encontrados em meteoritos”.

A matéria se refere ao artigo de Richard B. Hoover, que saiu há pouco no Journal of Cosmology. Na blogosfera, não são poucos os que questionam os méritos da publicação e sua revisão por pares é encarada com muita reserva.

O biólogo P. Z. Myers já respondeu com quinze nãos à pergunta “os cientistas descobriram bactérias em meteorito?” e disse que a revista é dominada por defensores da ideia de que a vida se originou no espaço sideral e em algum momento “choveu” sobre a Terra.

O cientista autor do paper trabalha para a NASA. É fácil perceber como isso chancela sua veiculação em alguns dos melhores orgãos da mídia.

Vamos acompanhar essa possível controvérsia nos próximos dias. Pode ser outra oportunidade para aprendermos um pouco mais sobre jornalismo de ciência.

– Aristarco

Noticiando uma controvérsia: um adendo

Além de um artigo jornalístico poder explorar conjecturas e hipóteses de forma um pouco mais livre do que um paper científico, defendo que haja uma justificativa ainda mais importante e mais convincente para o exagero do noticiário de ciência com relação ao êxito limitado da Mond.

A Mond é uma ilustre desconhecida. Fora da comunidade científica (eu diria cosmológica), pouca gente sequer ouviu falar dela. Sua importância é relativa à matéria escura. Quanto maior seu sucesso, menor a necessidade de lançar mão de uma entidade exótica. É preciso dizer (e aqui é Carroll quem informa) que mesmo com a eventual comprovação da gravidade newtoniana modificada, a cosmologia ainda não dá conta de explicar o que observa sem a matéria escura; por outro lado a existência de matéria escura, se comprovada, não exclui a necessidade de pensar numa gravidade modificada. Mas não dá pra negar que o sucesso de uma pode ter consequências negativas à amplitude de outra.

Portanto, como noticiar um estudo que relata um pequeno mas significativo sucesso da Mond? Há uma outra pergunta embutida aí: qual é o interesse desse resultado ao estado atual de conhecimento da cosmologia? A resposta deve, necessariamente, incluir um desafio à matéria escura, essa sim, habituê do noticiário de ciência. Não é apenas para apimentar a notícia que os jornalistas estamparam a matéria escura na manchete. Foi uma forma de mostrar ao público qual a importância daquele estudo relativamente às contendas disputadas em sua arena. Isso deve ser uma das prioridades do jornalismo de ciência. Se é um exagero dizer que a Mond coloca um desafio sério à existência da matéria escura, seria omissão não informar que há uma relação entre o sucesso de uma teoria marginal e os destinos da explicação dominante.

– Aristarco

Noticiando uma controvérsia

No imbróglio sobre se a Mecânica Newtoniana Modificada (Mond) coloca ou não a existência da matéria escura em xeque, faltou falar alguma coisa sobre o papel desempenhado pelo jornalismo de ciência neste caso específico.

A postura do cosmólogo Sean Carroll foi, além de argumentar contra a validade da Mond, a de dizer que parte da responsabilidade pelo fuzuê armado contra a matéria escura partiu da forma como o jornalismo de ciência é geralmente praticado (especialmente em veículos não especializados). “Ninguém leria um artigo entitulado Galáxias ricas em gás confirmam previsão na teoria da gravidade modificada“, diz Carroll, “ou, pelo menos, poucas pessoas estariam interessadas nisso quando comparado a evidências que se chocam frontalmente contra a matéria escura”. A matéria da BBC saiu com a manchete: “Matéria escura desafiada por resultados de galáxias cheias de gás” e outros veículos acompanharam o tom.

Vamos com calma. É muito difícil imaginar alguma ideologia fora dos campi, gabinetes, observatórios e agências de financiamento para pesquisas, que se interesse por minar ou promover a matéria escura. Quem zela por uma ou outra teoria são os cientistas. O público não está nem aí para o destino de uma ideia esotérica como a matéria escura (no bom sentido de esotérico, diga-se). No máximo o público quer saber qual o destino de toda a ciência e não de uma teoria determinada. Se levarmos em consideração o que os jornalistas pensam ser a expectativa do público, então o que o público quer são novidades. Quanto mais polpuda a novidade, mais garrafais e incisivas as manchetes, mais cliques, mais leitores, mais grana. Carroll está ciente disso e acusa os jornalistas de terem criado um hype onde não existe tanta novidade assim: “vamos apimentar um pouco a história. Vamos destacar a conclusão mais dramática que podemos imaginar e enterrar quaisquer ressalvas até o final”, dizem os jornalistas na cabeça do cosmólogo.

Sabemos que ele não está essencialmente errado (a mídia é uma maquininha bem suja, mesmo) mas vamos acompanhar seu argumento. Primeiro, um estudo de física é publicado numa revista conceituada. Press-releases são divulgados e caem nas redações. O que o estudo diz é que as previsões de uma teoria em desenvolvimento correspondem às observações de um tipo bastante peculiar de galáxias. Os jornalistas de ciência, informados de que a teoria em questão (a Mond) pode significar uma explicação alternativa à hipótese dominante (a matéria escura), procuram explorar os resultados positivos para a teoria alternativa e conjecturam possíveis consequências de um hipotético sucesso retumbante da Mond. Isso é apimentar a história, segundo Carroll. A matéria escura está muito bem, obrigado. A Mond não é nada disso que estão pensando. Etcetera.

Tudo isso é bastante razoável e é difícil discordar do cosmólogo. Mas o que também deveria ser lembrado é que o discurso do jornalismo de ciência é fundamentalmente diferente do da ciência. Cumpre papel social diferente, constitui-se em meios diferentes, tem objetivos diferentes. Deve ser permitido ao jornalista ou ao science writer dar pequenos saltos em seus artigos ou reportagens que aos cientistas devem estar terminantemente proibidos. Alguém que escreve sobre ciência deve ter o olhar voltado um pouquinho mais para o horizonte do que o olhar de toupeira do cientista. Por isso, é inaceitável que um paper alegue estar propondo um desafio sério a uma hipótese rival se não comprova que a sua hipótese tenha sido confirmada ou que o lado adversário tenha sido refutado. O que se faz em ciência é exatamente isso o que o paper noticiado fez: “estudamos este tipo de galáxias e os resultados foram consistentes com nossa teoria”. Mas enquanto o estudo nem de longe aponta para um desafio sério à existência da matéria escura, é interessante que o noticiário de ciência esteja atento ao fato de que há explicações alternativas. É muito melhor para a própria ciência que o jornalismo faça isso, em vez de ficar preso a apenas uma única explicação dominante, que sequer dá conta completamente do recado e cuja entidade protagonista ainda não foi incontrovertidamente observada, detectada, comprovada.

É fato que a Mond ainda não tem os mesmos méritos explicativos da matéria escura. Como sou apenas um anão debaixo da mesa ouvindo cosmólogos e físicos conversando, não tenho outro critério para julgar a questão que não o sociológico: a imensa maioria dos cientistas da área se satisfazem com a matéria escura para explicar a física bizarra das galáxias. Não, a Mond ainda não é um rival à altura da matéria escura e ainda não estamos numa crise de paradigmas (há que se dizer: nem matéria escura, nem a Mond constituem paradigmas, mas apenas teorias ou hipóteses rivais). Mas é necessário que a existência de tentativas alternativas sejam colocadas ao alcance do público. Muitas vezes a matéria escura é tratada como fato consumado, como entidade seguramente comprovada. Se o jornalismo de ciência se render a isso e pisar sobre ovos quando tratar de explicações alternativas, ele estará transmitindo uma imagem caricatural da ciência e do que significam dentro dela uma hipótese, uma teoria e uma evidência.

Se “cientistas e jornalistas têm a responsabilidade conjunta de fazer um trabalho melhor ao tornar as coisas mais claras, e não apenas torná-las mais empolgantes”, como diz com toda a razão Carroll, ambos também tem a responsabilidade de mostrar que a ciência é sempre uma busca em aberto, indefinida e interminável, e que às vezes há alternativas para conclusões recorrente e erroneamente tratadas como fato.

– Aristarco

Dark matter matters, reloaded

O Aglomerado-Bala

Dêem um desconto para o título com o trocadilho mais batido em 10 das 11 dimensões do espaço-tempo, pois estou com certa pressa.

O astrônomo e blogueiro Phil Plait, um dos nossos favoritos e mais conhecido como “o cara do Bad Astronomy“, linkou hoje um post de Sean Carroll (cosmólogo e também blogueiro) que corre para apagar o fogo (mencionado no nosso post anterior) e sustenta o seguinte:

a) a Mond é feia; b) a Mond não bate com os aglomerados (de galáxias, suponho); c) mesmo com a Mond, ainda é necessário considerar a matéria escura; d) a Mond sequer serve para todas galáxias; e) a Mond não se adapta à radiação cósmica de fundo (aquele tal de “cano fumegante” do Big Bang); e, finalmente, f) “a gravidade nem sempre aponta na direção onde a matéria ordinária está” – seja lá exatamente o que isso significa para a física – dando como exemplo cabal a existência do Bullet Cluster, ou Aglomerado-Bala.

Aglomerado-Bala… gostei deste nome. O Aglomerado-Bala é constituido por dois aglomerados de galáxias colidindo.

Essa colisão de jamantas é vista por Plait como o argumento decisivo contra a Mond e como o motivo de “tão poucos astrônomos duvidam seriamente da existência da matéria escura”. Até a Wikipedia informa que o Bullet Cluster é tido como a melhor evidência da matéria escura. Quando abordou o problema, Carroll foi taxativo: “a matéria escura existe”. Mesmo assim, negou que a fugidia matéria explique completamente o que se vê nos super-telescópios e que talvez sejam necessárias outras explicações para dar conta das observações.

Plait exagerou um pouco a postura de Carroll e disse que “não há motivos para se preocupar com a Mond” e que “a dita Mond realmente não funciona”. A tal de Mond pode até ser essa inutilidade toda mesmo, mas a brigada anti-incêndio ter sido acionada dessa forma só me convence de que a peleja pode não estar jogada. Assim como pensam muitos comentaristas nos blogs de ambos os cientistas.

Update: Ethan Siegel tem um post bastante didático sobre o incômodo da maior parte dos cosmólogos com a notícia de que a Mond se revelou uma desafiante, uma alternativa, para a matéria escura. É muito bacana, embora Siegel demonstre sua argumentação com outros exemplos da história da ciência que justificam o pé-atrás com relação a possíveis suposições de existência de determinada coisa pelo simples fato de que ela salva nossa explicação atual de como o mundo funciona (visto que é muito mais fácil ter resultados publicáveis com isso do que elaborar uma explicação alternativa desde o zero).

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Minuto epistemologia.

A conclusão de espectador que posso tirar: este imbróglio é a evidência de que o conceito de evidência em ciência é tudo menos simples. Plait e Carroll podem estar certos com relação à matéria escura, mas talvez devessem considerar as questões epistemológicas que circundam as evidências em campo tão problemático quanto o da cosmologia. Especialmente quando afirmam ser evidência direta da matéria escura conclusões extraídas com interpretação e análise de uma observação de colisão entre aglomerados de galáxias.

E uma pergunta: deveríamos exigir reflexões epistemológicas dos nossos cientistas?

– Aristarco